Contrafações há um mundo em ciclo, por Victor Leandro

07/06/2020

Disseram, já está no fim a quarentena. Bem-vindo ao novo normal, ou o que quer que seja isso tudo.

Na saída, resiste-se. O lá fora se assemelha a um imenso Cavalo de Troia. Sim, também do modelo mítico-cibernético. Virtual-dígito-número alto de contaminações. Desconfiamos. Desconfiamos. A estatística está calma demais para um dia de fortes ventos. Convém não sair.

Mas há por inevitável uma urgência que chama. Quatorze horas. Um bom horário para conhecer a realidade recém-surgida. Mas ninguém a encontra. Por onde se anda, apenas os mesmos carros amontoados e idêntico barulho, o desgaste insano da irritação dos rostos e o sol inclemente, a homônima litania recalcitrante do cotidiano que massacra, que progride sem reflexão. O amanhã não é mais do que uma tela desgastada de retratos carcomidos, ou pior. Negativos amarelados e com vírus.

Retorno a casa. Guardo as compras. Abro um livro. O novo-antigo é muito melhor.

No isolamento do nada, aqui prefiro.