Contradições sob a chuva

20/02/2021

Por Victor Leandro

As águas caem no tropical amazônico, porém não somos todos nós que a vemos, no que reside amplo o primeiro indício da segregação. Na ideia de Kant, está aí exatamente o princípio sublime. Só se pode falar do magnânimo quando se está em segurança. Mas bem assim não é com o povo, não é a ele que a música se dirige.

Porque das palafitas e dos telhados vagos o que sobra é a angústia, o frio. Também o desespero de ver perdidos os poucos pertences, afora as doenças invisíveis. Diante desse receio, estendido por horas progressivas, quem poderá dormir? Não pode ser canção a queda dos dardos prateados que ora ferozes os atingem.

Mas o poeta ainda entoa. Sim, sente-se regozijado, e é isso. A tempestade é algo natural e não tem culpa. Contudo, culpa é uma palavra que não tem nada a ver com o assunto.

O olhar chover humano como direito social, é tudo a ser discutido.