Consciência de rebanho, por Victor Leandro

16/04/2020

A consciência de rebanho é a consciência atrofiada, estreitamente posta, que não reconhece nada além de uma única a voz, a do pastor que ela pensa ter escolhido e que representa o corolário dos signos que a dominam, das manipulações incrustadas no sujeito desde a infância e que o tornaram incapaz de dar um passo que seja por ele próprio. É a negação de si pela ilusão de um eu que não é mais do que uma res que se conduz sem suspeita para a engorda e o abate.

Nela, não reside vontade de vida, mas tão só de obediência. Até o gesto aparentemente mais livre é uma ordem vinda de cima. Pensar e pôr em prática a dúvida racional são algo totalmente fora de cogitação.

No Brasil de hoje, a cultura de rebanho se disseminou de tal maneira que extravasou todo e qualquer limite metafórico. Literalmente, os indivíduos se permitem ir bovinamente para sua aniquilação. Outros chegam mesmo a implorar por isso. Não há argumento que os demova. Inabaláveis, eles seguem para o corte, enquanto que do outro lado seus exploradores sequer se dão o trabalho de esconder suas intenções destrutivas, de tão fáceis que são aceitas.

E assim seguimos, em meio a uma massa amorfa de negacionistas, cloroquinistas, terraplanistas sanitários e guardiões do mercado sem nenhum dinheiro.

Contra tudo isso, bastava fazerem-se sinceramente uma ou duas perguntas.

Mas só se ouvem mugidos.