Comunavírus - o despertar dos espectros, por Victor Leandro

19/05/2020

Já se disse em quase mil ocasiões, e por isso falta pouco para ser real, que uma mentira contada mil vezes torna-se verdade. Cinismos nazistas à parte, o que se pode depreender daí é que a repetição é o gesto que atualiza o mundo. Caso queiramos tornar qualquer coisa existente, é preciso insistir.

No que tange ao comunismo, curiosamente, tal regra tem sido empregada de maneira firme, porém não por quem deveria fazê-lo, mas por aqueles que lhe são francos opositores.

Ora, todos sabemos muito bem qual o nível de delírio de Daciolo e Araújo, e o quanto são infundadas suas hipóteses sobre a URSAL e a ordem vermelha globalista. Também é notória sua necessidade de fabricar um inimigo imaginário para mais facilmente introjetar no corpo da sociedade os impropérios que lhes interessam. Sem sombra de dúvida, todas essas estratégias encontram-se mapeadas e seus propósitos nos são bastante conhecidos.

Mas, e se nós, que estamos do outro lado, tomássemos essas proposições a sério? E se nos esforçássemos por fazer com que cada um desses pesadelos dos reacionários virasse realidade? E se repetíssemos conjuntamente essa mentira, porém de modo muito mais convincente e verdadeiro, de modo a configurá-la como uma autêntica proposta para um novo mundo, um socialismo do século XXI?

Os alarmistas da direita já fizeram sua parte. Despertaram o comunismo do limbo em que estava desde a queda do muro de Berlim. Agora, cabe a nós acreditar muito mais nele, e tomarmos as rédeas do momento histórico a fim de dar-lhe uma direção revolucionária segura e prolífica.

Um espectro ronda a Europa - e não só.

É o espectro do comunavírus.