Bolsonaro Petrobrás, golpe fácil nos liberais

22/02/2021

Todo mundo sabia, menos as figuras toscas do mercado e os juvenis do MBL, que a suposta guinada liberal de Bolsonaro não passava de jogo de cena, e que não tardaria muito para que fosse abandonada sem máscara alguma, a qual aliás ele detesta, tanto metafórica quanto literalmente. Logo, é impossível considerar qualquer surpresa. A mentira sempre esteve aí mal lavada. Caiu quem quis.

Dessa forma, o que seu gesto ratificou foi uma fidelidade inexorável para com os princípios ideológicos que o orientam, pautados no sedarbemismo, doutrina amplamente praticada no baixo clero legislativo, e que assevera uma ampla defesa de quaisquer valores com vistas a obter benefícios particulares, residindo no último ponto uma diferença que a torna inconciliável com Maquiavel.

Ora, o que Bolsonaro quer é tão somente mais quatro anos de mandato. Foi com essa mentalidade que ele permaneceu trinta como deputado sem nada fazer. Para tanto, não irá medir esforços nem tampouco prender-se a inúteis detalhes teóricos. Se precisar colocar militares em todas as funções para isso, tanto melhor. E pouco importa se a Petrobrás vai ser espoliada ou se o preço do combustível irá disparar em 2023. O importante é alcançar o objetivo.

Resta saber se as elites de investidores continuarão a aceitar suas perdas facilmente. Contudo, já está na ponta da caneta o antídoto. Uma ou duas privatizações, com o patrimônio público sendo dado de bandeja a eles, e a bolsa se acalma, sem se importar se o país vai cair no abismo. Antes eles do que eu - este é o lema inviolável do sedarbemismo.