Bolsonaro e o governo da mão visível, por Victor Leandro

22/07/2020

Foi Thoreau quem disse que o melhor governo é o que menos governa, e, em última instância, o governo perfeito é o que não governa nada. No Brasil de hoje, talvez fosse o momento de verificar a validade dessas proposições. Contudo, não é bem isso que ocorre. Há sempre no fundo uma voz de comando.

Para variar, esta é mais uma vez a do establishment, que segue dando as cartas e diretrizes conforme os interesses da alta burguesia. Mandaram Bolsonaro calar. Ele se calou. Deram ordem para seguir as pautas liberais. Estas permanecem cumpridas. Seu único direito agora é o de ter toleráveis rompantes reacionários, a fim de agitar suas massas. No mais, é mister que não atrapalhe os negócios de venda do país ao capital estrangeiro.

Segue que, na ordem burguesa, não é possível uma anarquia. Anarcocapitalismo é uma palavra juvenil, sem qualquer sentido eminente. Por trás do pretenso vácuo, sobra inevitavelmente o mercado e sua mão, que por sinal é bastante visível.

E assim permanece o país em seu decrépito capitalismo. Como bem nos lembra Althusser, os momentos de calma são os de triunfo da ideologia. Contra e por Bolsonaro, nada acontece. Eis a vitória de uma classe carcomida, mas que manda na luz e no escuro. Lamentável via.