Bolsonarismo – uma fumaça dispersa, por Victor Leandro

16/11/2020

O que nos diz o fiasco nacional retumbante dos escolhidos do suposto presidente nos pleitos municipais? Na verdade, fala apenas o que já se sabia, porém poucos tentavam enunciar: o bolsonarismo, afinal, é por completo inexistente.

Logo, o que tendemos por identificar como uma corrente não é mais do que a simples confluência de certos caracteres dominantes da cena pública - fascismo, homofobia, discriminação e outros - e que ganharam nele uma materialidade conspícua. Entretanto, seu trabalho significante encerra-se nesse ponto. Como sintoma, ele se limita e ser um lugar por onde passam tais posições de ignomínia, sem ser de nenhum modo o lugar da fonte delas. Bolsonaro não é um mestre nem mesmo do horror, nem nunca poderá ser.

Sobra, então, uma cortina de fumaça, uma breve pirotecnia, que ora se mostra desfeita aos primeiros gestos das urnas. Até onde ganhou, o papel da bolsonarada foi inteiramente pífio. Onde perdeu, ficou evidente que sua ajuda não serviu de nada ou atrapalhou muito.

Contudo, não nos enganemos. A fumaça permanece bastante tóxica, e pode trazer bastantes prejuízos.

Até 2022, resta inevitável um longo caminho.