Ao meu bem, que não é meu, por C. Medeiros

05/06/2020

Nos sussuros da terceira hora 

Antes que eu não mais te veja

e a tua palavra já não me aqueça

pelo reflexo iluminado na mão

Disfarço o afeto no ritmo quieto 

de quem não quer ir embora


Escrevo, voz que tu não esqueça 

Inexorável, minha agonia, cria da saudade 

Do afago diluído em interesse

que tu estende sobre o chão morno 

pra eu, fogo, deitar


Estende as palmas, distância segura

Atiça sem tocar, atraído pelo crepitar da brasa 

Do vôo de um passarinho sem asa

que ao aninhar na correnteza do teu peito frio 

pensou saber Nadar