Amazonas tanático e seus feitores, por Victor Leandro

14/01/2021

A guerra chegou ao Amazonas e com ela os signos da morte estão à vista. A dor e a angústia passam a tomar as mentes e os semblantes. Contudo, é necessário guardar ainda alguma razão. senão não saímos dessa. Senão não expulsamos os agentes mores dessa catástrofe sanitário-política.

E quem são eles? De início, excluímos o povo, a grande multidão dos pobres. Estes estão acuados e constrangidos pela ameaça da fome e a desinformação bombardeada a eles pelos grandes poderes. São, indubitavelmente, muito mais vítimas que cúmplices. Desse modo, é preciso atentar sobretudo para os atos dos que vão a seguir.

O suposto presidente da república - bufão macabro, que falou e agiu com vistas a propagar o discurso da morte com indiferença sádica. Seus feitos sequer merecem estar à mercê do Supremo, e sim do Tribunal de Haia.

O governador do Amazonas - que com morosidade, inaptidão e subserviência aos ditames federais, foi incapaz de atuar assertivamente ou de estabelecer práticas minimamente razoáveis para impedir o caos. Há que se lembrar que, ainda no início de dezembro, quando a pandemia já dava sinais de um forte retorno, sua medida inicial foi liberar as festas e aglomerações pelo Estado inteiro.

A classe média bolsonareira - que, mesmo informada, mesmo dispondo dos meios todos para tornar-se esclarecida, vota em Bolsonaro e o apoia, tornando onipresente aqui a sua lógica de exterminação. Agora, quando todos estamos no abismo, quer imiscuir-se no povo, fazendo-se como digna de pena e suplicando orações. Mas de forma alguma estão à altura disso. Por detrás das postagens, seus gestos continuam a castigar e a oprimir os que estão a sua volta.

São esses seguimentos os três arautos, os mensageiros destrutivos. Não cabe aqui uma punição moral, pois esta pouco ajudará os que precisam. O de que precisamos é dizer-lhes fora, expurgar sua lógica de nossa existência comum.

É assim que nos cuidaremos a todos.

Pela coletividade e comunalidade, sigamos firmes.