A tolerância intolerável dos moral-ativistas relutantes, por Victor Leandro

27/04/2020

Falemos entre nós, ou entre os que têm medida.

O que tem sido praticado pelo antigoverno é um sistemático alargamento dos limites. Pouco a pouco, o inaceitável vai sendo empurrado para mais longe. Nomear corruptos, proteger familiares, entregar o povo à morte sem clemência. Eis a nova cotidianidade, a qual preenche as páginas de notícias.

Certo, há notas estarrecedoras, comentários raivosos e cheios de brio. No entanto, eles desaparecem céleres na mesma velocidade das manchetes, dando lugar a informes ainda mais aviltantes. De modo que devemos nos perguntar: onde está a autêntica revolta?

Nesse quadro, o que se torna intolerável é justamente a parcimônia dos tolerantes. Estes, que insistem em falar em serenidade e no cuidado para com as instituições democráticas, que temem traumas e esfacelamentos na república que nem existe mais, que acreditam num futuro nada próximo, são hoje o principal entrave a uma saída rápida e necessária para o caos que se apresenta. Sua paciência beira à cumplicidade. Seu silêncio é um quase-irmão da morte que persegue os doentes desassistidos.

Contra estes, devemos nos rebelar também, fazendo-lhes correr novamente nas veias o sangue.

Não se derruba a imbecilidade aberrante sem violenta ruptura.

Que sejamos intolerantes com essa passiva tolerância. Que derrubemos sua moral de noviços e imponhamos aquela que salva e empodera o povo. Esse é o caminho. Essa é a forma da conjuração benigna.