A tarefa do artista no hospital de campanha da pandemia, por Victor Leandro

28/01/2021

A teoria revolucionária marxista é uma teoria da organização, da racionalidade dirigida ao humanismo, e não de uma rebeldia gratuita. Nela, cada sujeito assume um trabalho conforme sua disposição dentro de um amplo painel de ações necessárias. Somente desse modo, é que o primado da multidão proletária pode se consolidar e promover a emancipação conjunta.

Nesse panorama, obviamente, o artista tem uma tarefa fundamental. É dele a obrigatoriedade de promover a percepção totalizante e sensível do real junto aos afetos mais agudos de um povo, a fim de que, através de sua manifestação, possamos tornar mais claras e entusiásticas as nossas vias de mudança.

Talvez seja esse direcionamento que nos falte no momento pandêmico e no caos político que nos cerca. Nossos artistas, envoltos como estão no ritmo célere informacional, fazem intervenções midiáticas importantes e de notável ajuda. Porém, isso é o que fazem como indivíduos. Em sua condição orgânica de classe, o conteúdo de sua missão permanece vago, ou à espera de sua forma. Não temos ainda a canção nem a prosa exata que nos leve ao novo caminho.

Está mais do que na hora do artista assumir sua missão. Que perfure as bandeiras do fascismo com sua arte, isso é tudo que se espera dele. E o momento é agora. Há muito não eram tão necessárias outras formas de sentir o mundo.