A saída Schopenhauer no inútil front da esperança, por Victor Leandro

03/05/2020

É tolo crer que a humanidade sairá melhor dessa crise. Basta olhar para o lado e constatar que não mudou ninguém. Ao contrário, acentuaram-se os narcisismos, os egoísmos bobos, as ofensas ressentidas e gratuitas, as iniciativas juvenis, os velhos hábitos preconceituosos, as vaidades e orgulhos patéticos. E não adianta mirar apenas nas alas do fascismo. Em cada um, progressista ou não, esconde-se o mesmo falso segredo. Não há nenhum autoexame, nenhuma mínima reflexão sobre si. Nas horas vazias, os seriados e memes dão conta de afastar-nos de nós mesmos. No limite, restam ainda os supostos não sentimentais, os tipos duros, cuja rigidez não passa do medo mais que manifesto de debruçar-se sobre seus pesadelos. Desses, menos ainda se espera. Não há nada que possa vir de alguém que foge de seu rosto como criança.

Mas tudo isso era previsto, já estava na história, e também nas palavras do velho mestre de Danzig. Nenhuma guerra ou peste foram feitas para tornar o ser humano mais digno. Antes, é para revelar seu desespero e mediocridade que elas vêm à tona. Por sorte, a ciência e a revolução não dependem da elevação humana para seguirem adiante. Contudo, pouco resta de sua grandeza nos gestos dos indivíduos estultos.