A revolução do sujeito, por Victor Leandro

12/10/2020

Não raro os marxistas mais seguimentados acusam Nietzsche de reacionarismo. Podem não estar errados. Contudo, a explicação ainda é incompleta. Pois o que Nietzsche resguardou de aristocrático ele rompeu no campo da ação. Era, assim, um exemplo claro e raro de revolucionário existencial.

E o que isso pode dizer ao marxismo? Muito. Porque este, enquanto afirmação da vontade de potência da multitude, só se realiza com indivíduos elevados e livres, ou seja, que já não se sujeitam mais aos rigores medíocres de uma práxis conduzida pelo capital: as obrigações escravistas do cotidiano, a necessidade dos prazeres da indústria cultural e dos divertimentos frívolos. Tudo aquilo que fala tanto à sociabilidade de hoje, embebida em seu universo de conversas anódinas e seriados juvenis.

Por certo, não é uma tarefa simples. Tampouco se deve aqui exigir que a mudança se dê sem atropelos e retrocessos em alguns âmbitos. Contudo, convém ignorar os detalhes. O essencial é o que importa, e este é o que diz que o que vale é sobretudo tomar o caminho da coletividade transfiguradora do socialismo, da arte, do devir-mundo. Estando nela, já seremos outros, incapazes de retornar à indigência comum.

Isso tudo, ninguém pode nos instruir. É somente numa atitude pessoal que promovemos tais desígnios.

Marx disse certa vez: os homens fazem a história, mas não fazem tal como a querem. Sim, é verdade, o mundo não é realizado como desejamos.

Porém, fazemos a história.

Para que o novo advenha nela, criemos um outro percurso.