A política, os militares, o povo, por Victor Leandro

15/07/2020

Como era de se esperar, o moralismo oblíquo dos militares foi aflorado pelas declarações do ministro Gilmar Mendes, que dão conta de que estes estão se associando a um projeto político genocida, comprometendo o nome da instituição. Estranha reação para quem insiste em ter altas funções no executivo, e que agora não quer se sujeitar às críticas próprias do necessário debate político. Mas pensemos em outros sintomas.

Quem, além dos envolvidos, Indignou-se com as palavras do ministro? Rigorosamente ninguém. Esse talvez tenha sido o maior sinal da crise em que as forças armadas se encontram diante da população. Fragilizadas por conta das ações de vários de seus comandantes, que decidiram apoiar uma figura ela mesma proscrita em tempos passados, a imagem publicamente divulgada é a de que de fato estas não cumprem o seu papel constitucional, servindo somente de trampolim para ocupação de cargos e benesses, enquanto validam uma política deletéria dos direitos do povo.

Os militares levaram muito tempo para recuperar o prestígio apagado nos anos da ditadura. Agora, jogam esse crédito novamente no lixo. E é exatamente esse processo que a indiferença pública para com eles nos aponta.

Mas, importam-se os fardados mesmo com isso? A julgar por sua continuidade no não-governo, o que mais parece é que tais questões não lhes são de grande relevância. Contudo, se este é o caso, que não venham nos amolar com moralidades fingidas. São mais graves os problemas do país para que tenhamos que nos preocupar com seus narcisismos atingidos.


Imagem - https://www.intersindicalcentral.com.br/judiciario-tutelado-stf-sob-o-peso-dos-coturnos-parte/#.Xw8W5ShKjIU