A Permanência do Marxismo, por Victor Leandro

05/05/2020

Um espectro ronda a burguesia, agora e enquanto ela existir.

Porque o marxismo é a sua sombra impertinente. Sua consciência voraz mais íntima. O que esta lhe cobra é algo inteiramente simples, a comunidade genuinamente comum, que ela havia projetado e prometido, porém esqueceu-se de cumprir. Decerto, a essa voz procuram silenciar com gritos de falsa conquista. Mas pouco adianta. O real está no rosto dos mais pobres.

Então, é que persistimos. Cercados das armas de crítica, à espera da crítica das armas, seguimos incontinentes nossa tarefa de pensar o devir. Nisso, somos sempre certeiros, vaticinando que não haverá futuro nessa lógica de exploração. Somente desigualdade e aumento da fome. Sem meios termos, atentamos as almas dos sarcásticos e cínicos. E por isso não nos toleram. Por esse motivo falam de nós como se cometêssemos crimes, e talvez seja mesmo, nesse mundo doente, um abominável vandalismo perturbar a tranquilidade hipócrita dos que acumulam dinheiro às custas de uma miséria humana progressiva.

Não, o marxismo não vai desaparecer, e melhor seria para o burguês desistir. Já são 202 anos. É tempo demais para ficar num único erro.

Quanto a nós, óbvio, precisamos pensar. Também se vão 202 estações a tolerar os desmandos dos estultos. Não está na hora de dar o passo adiante? Sim, e isso é urgente. O 5 de maio só faz sentido enquanto dia de luta.