A necessidade do feminismo, por Victor Leandro

28/04/2020

Em 2018, no auge da campanha eleitoral, mulheres de todo o país deflagraram o movimento "Ele não", manifestando-se de maneira frontalmente contrária à candidatura de Jair Bolsonaro a presidente. Na época, houve diversos questionamentos acerca das bases classistas dessa intervenção, que, mesmo diante de grandes esforços, não conseguiu agregar as camadas mais densas das mulheres do povo. Assim, seu caráter popular foi visto como algo bastante restrito.

Passados quase dois anos, a história parece lançar nova luz sobre ele. Verdade é que, ainda que possa ter tido limitações, o "Ele não" foi a única iniciativa massificada diretamente oposta ao antigoverno. Por mais que tenha havido depois protestos como os dos estudantes, estes reivindicavam pautas específicas, e não exigiam diretamente a debandada do suposto governante e seus asseclas. Logo, foi somente no âmbito da ação delas que se propagou uma recusa sonora aos desmandos que se instalam em nosso momento.

Isso prova a força e a necessidade do feminismo. Sem este, não é possível pensar nenhum horizonte de transformação profunda. Não há revolução possível sem o protagonismo das mulheres.

Desse modo, é que talvez valha recobrar esses fatos passados para planejar o porvir. Há uma pandemia, que colocou a todas sob um mesmo risco. E há também uma radicalização das políticas oficiais, que têm deixado as mulheres pobres em situação de ainda maior abandono. O momento exige e é adequado para um novo levante conjunto, que agora tem muito mais chances de aliar o povo em marcha contra os opositores comuns.

Mas isso é uma ideia. As mulheres decidirão a hora e o caminho.

Nós, daqui, aguardamos a voz de comando.