A necessidade da revolta, por Victor Leandro

05/06/2020

O menino Miguel, o menino João Pedro.

Ambos mortos. A vida de duas crianças destruída e duas famílias laceradas contra um silêncio autoritário e indigno, o silêncio do Estado burguês.

Do que resta ao público, há comoção. Porém, não é o suficiente. A classe dominante não se assusta com meras palavras de ordem. Seu culto à indiferença anti-humanista é bastante convicto. Logo, entristecer-se não altera nada, e outros crimes virão. Para impedi-los, é preciso revolta.

Democrática sim, que seja. Que esteja dentro do conjunto das leis. Mas que exista. E que diga ao exploradores que assim não irão prosseguir, que seus crimes de fato não ficarão impunes, que o tempo de sua estupidez virulenta já passou. Nenhuma morte a mais será aceita. Nenhuma vida perdida cairá no esquecimento.

Os algozes não terão mais sono.

A revolta do povo, justa e digna, produzirá um novo tempo.