A Natura, a verdade e o cosmético, por Victor Leandro

30/07/2020

Sãos vários os problemas pertinentes a serem explorados na campanha publicitária envolvendo Thammy Miranda. Pode-se questionar o preconceito de uma sociedade retrógrada, os valores hipócritas dos pseudomoralistas, a exploração propagandística de causas politicamente importantes, o espetáculo de uma discussão desmedida. Por qualquer lado que se olhe, são muitos os caminhos de destaque a serem relevantemente debatidos.

Contudo, uma coisa permaneceu intacta: o estatuto do nome-do-pai. Em nenhum momento se questionou seriamente por que razão a imagem do patriarcado merece ainda ser celebrada e mantida, se o próprio exemplo de Thammy demonstra que ela pode ser muito bem posta de lado em nome de uma ordem dotada de um caráter muito menos opressor, como de resto já ocorre há séculos em comunidades que não esta de herança ocidentalista-liberal.

Desse modo, as estruturas seguem como antes, e o que a peça publicitária revela é a validade do dito de Lacan de que o verdadeiro louco não é o mendigo que acredita ser rei, mas o rei que acredita ser rei. Quando nos colocamos no lugar do pai, apenas cumprimos uma função simbólica, a qual é independente de quem a exerce e será tanto legitimada quanto forem conforme a ela as normas vigentes.

Assim, o comercial da Natura expõe uma verdade, mas não traz nenhum cosmético remodelador. Se muito, apenas alguma maquiagem para adornar o estatuto dominante. O Pater Famílias segue intocado. Os conservadores podem pefurmar-se tranquilos.