A miséria subjetiva do judiciário brasileiro e sua interrupção, por Victor Leandro

20/07/2020

Não é algo que surpreenda ninguém. A precariedade humanitária sempre foi uma das lamentáveis marcas de boa parte do aparato estatal jurídico do Brasil. Que esteja sendo filmada e registrada agora, eis uma fenomenologia de seu desnudamento, que impõe a nós a inevitabilidade de combatê-lo.

Mas de que forma? Eis o ponto a ser discutido. Por óbvio, há órgãos de controle que precisam ser acionados e mostrar-se ativos, a fim de impedir o contínuo da escalada da estultice e, sobretudo, da arbitrariedade jurídica movida por mesquinhos instintos. No entanto, essa é uma solução que trata apenas do presente. Há que se pensar nas formas de reestruturar as constituições seguintes.

Para isso, somente uma democratização da representatividade pode de fato mudar o estado de coisas. Se olharmos a formação de classe dos que ora ocupam os maiores cargos no judiciário, notamos que é o olhar da elite econômica que persevera, deixando pouco espaço para a diferença e a perspectiva dos mais pobres. Este é o traço a ser revertido, e que, somado a uma aproximação maior das camadas mais densas do povo, podem conduzir o país a elidir a mediocridade dominante e grotesca dos representantes ora ativos.

Mas óbvio, tal só seria possível plenamente no horizonte de uma outra sociedade, de uma outra concepção de pensamento, que permitisse ascenderem novas formas de organização da superestrutura. Para tanto, é inevitável uma outra articulação política que não a que aí se apresenta. Mais uma vez, e como sempre, o destino da mudança é a revolução. Atuemos por ela, ou teremos de passar muito tempo suportando as carteiradas de figuras ridículas, paras as quais ainda sobrarão muitos vídeos.