A matemática da indiferença, por Victor Leandro

22/06/2020

Então reabre-se tudo: comércio, escola, de calculadora na mão.

Em Manaus, dizem, a pandemia está no fim. Não por mérito das autoridades, obviamente. Se houve estratégia, esta colapsou o sistema de saúde e converteu o estado em campeão de mortos. Assim, a imunidade veio pela incompetência no combate ao vírus. Tivessem injetado-no na veia dos moradores, teria dado quase no mesmo.

Mas nada disso significa que não existem ainda males que não possam advir. Seguem muitos os internados e doentes, e novos casos e óbitos diários permanecem surgindo. Entretanto, é o que afirmam, tudo está no limite do tolerável. Mas o que seria isso? Dez mortes por dia? Vinte? Quantas vidas extintas achamos sacrificáveis em nome de uma aula ou de uma ida ao shopping center?

Para o humanista clássico, uma só bastaria para ter cuidados. Mas não entre nós. Aqui, reina a estatística e a razão do cálculo e do lucro.

As aulas retornarão. Um por cento a menos é um bom número.

Assim se ensina a matemática da indiferença.