A luz e o dia, por Victor Leandro

24/12/2020

Então é nessa ocasião que preparamo-nos todos nós ou quase mais uma vez como sempre. Porque não é e não será como antes. Em nosso orbe, a cidade se coloca mais uma vez em repouso, à espera de uma solução minimamente razoável para a confusão. O que será dos desempregados? Vão se juntar a cada dia mais crescente multidão de famintos, que de uma hora pra outra tiveram perdido o amparo e os escassos meios de vida? Não há plano, ou se há, ele é a derrisão somente. Enquanto isso, do outro lado, aqui ficamos, a contar e pôr na lembrança involuntária os rastros de outros momentos, alguns dos quais que são os que fomos alegres porém a maioria tristes, profundamente melancólicos, pois foi um pouco em um por um deles que desaparecemos e agora somos sombra, apesar de que nos sobre qualquer força para pensar no momento adiante, não que a data em especial nos afirme isso, o que nos move é a irredutível e indevassável força humana.

Talvez ninguém nos diga nada, contudo é certo. Contra a luz ou a noite, estamos firmes. Nossa matéria é dura demais para romper-se com o martelar desses dias. Em frente.