A história e a revolução, por Victor Leandro

03/06/2020

Não se pode inventar uma revolução. Tampouco, é plausível imaginar que esta será promovida por uma massa eminentemente pronta e esclarecida. As coisas seriam muito fáceis se ocorrem assim. Antes que qualquer ímpeto socialista tome fôlego, o que existe é a revolta dos sujeitos que se traduz em ações de ruptura, as quais cabe aos líderes proletários dar-lhes o devido direcionamento. Do contrário, nada impede que o levante vire à direita.

Senão, vejamos o exemplo russo. Entre a queda do Tzar e o Estado Soviético, houve um profundo momento de hesitação. Não poucos foram os que falaram que o mais lógico era despontar uma sociedade burguesa. Assim, coube à visão política e à destreza pragmática de Lênin e outros revolucionários apontar o caminho até o grande outubro. Não fosse por isso, o que nós teríamos seria somente mais uma pseudodemocracia capitalista instalada e esquecida nos manuais de pesquisadores acadêmicos.

Hoje, no Brasil, a história da luta dos povos se repete, bem como seus impasses e receios. Muitos são os que começam a ir às ruas contra as condições vigentes. A ala progressista, no entanto, demora-se em elucubrações, chegando ao limite de tentar deslegitimar em parte tais anseios. Diz que não é o instante de promover mudanças radicais, como se fosse dela a capacidade de ditar a hora desses eventos. Lamentável pedantismo que pode custar muito caro a todo o país.

Dessa maneira, o trem da história passa, e a esquerda assiste. Depois, da mesma forma que em 2013, escreverá teses para se perguntar o que aconteceu, e que serão de pequena valia. Porém, ainda há tempo. Nada está por enquanto decidido. Mas é imperativos que façamos algo o quanto antes para que o antifascismo seja apropriado pela revolução.

Que o povo possa enfim fazer no país a sua própria história. Isso é tudo que esperamos. E é possível que agora tenha chegado o momento.

Vamos em frente.