A escrita contra o ego, por Victor Leandro

03/12/2020

É como se afirma que não é possível escrever com as neuroses, com as loucuras, com nossas prisões subjetivas.

Porque dessa maneira, extravasa-se, mas não se escreve. Apenas se percorre um cabedal de ressentimentos difusos, que não dizem respeito ao outro, que algo a mais para o mundo não podem ser.

Assim, diante da raiva e da folha, espera-se. É preciso aguardar até que as ideias se aclarem, porque é tolo usar a palavra como vingança, esta para tal fim não serve a nada, a nenhum qualquer interesse coletivo.

Pode nos fazer sentir melhor, mas só diante do espelho.

Desse modo, é que falamos que a escrita é sempre a negação do ego, pois o que está no texto não é mais nosso, de forma que, se nos lançamos nele como simples introspecção, o resultado é mais um trabalho perdido.

Dentro de nossa iniquidade, não cabe o mínimo livro.