A democracia corinthiana, por Victor Leandro

20/05/2020

Não é de se estranhar que dirigentes com frequência apareçam alinhados com o antigoverno. A rigor, a história da gestão política do futebol no país é a dos acordos nefastos e opiosos em benefício de estreitas camadas privilegiadas, que se aproveitam de uma paixão nacional para lucrar e obter vantagens que, embora também beneficiem os clubes que representam, são sobretudo amplamente subjetivas.

Sem dúvida, o flamengo hoje é o melhor exemplo disso. Sem o menor escrúpulo, ele abraça o poder mais desprezível em nome de um projeto hegemônico e financeiro. Porém, que não nos enganemos. Os administradores estão ali não só como homens de negócios, mas principalmente por suas inclinações próprias. Também não são os únicos. Outros, quando podem, agem da mesma maneira.

Segue que não adianta esperar uma grande surpresa revolucionária vinda dessas esferas. Estas são como são e assim devem continuar a ser. Logo, como em qualquer levante popular, a mudança precisa partir de baixo. São os torcedores - o povo - e no limite alguns atletas - traduzida aqui como classe média na ordem de comando - que podem promover um outro horizonte, uma via modificadora. Na sua organização, vislumbra-se a hipótese de um jogo verdadeiramente popular e socialista, que não se dobre aos interesses mais mesquinhos e permite revelar sua autêntica essência.

Nisso, o Sport Clube Corinthians Paulista, por meio de seu grupo de torcedores, deu-nos uma grande lição. Seu gesto de impedir o fascismo de atuar na Avenida Paulista, arriscado, porém temerariamente necessário, remete a um senso agudo de responsabilidade intransigente. De forma alguma, eles aceitaram trocar seus princípios por uma reprise de jogo na TV, nem tampouco se calaram diante da possibilidade de não terem vantagens para ascenderem como grande clube do Brasil. De quebra, ainda mostraram o caminho para as organizações de partido.

Tudo isso sob o eco da história, da experiência única da democracia corinthiana.

A temporada nem começou, mas, independente disso, já está mais do que claro quem merecerá o título.

É o campeão dos campeões.

Salve o Corinthians.