A cor da luta, por Victor Leandro

10/06/2020

A rua é um espaço livre. Todos que transitam nela o fazem em seu direito de transitar. Bem como aqueles que protestam. Trata-se de liberdades fundamentais que não podem ser suprimidas em nenhuma democracia. Quem quiser seguir pelas vias, que siga. Não é lícito inibir o movimento de quem anda por qualquer caminho.

Daí que não é válido censurar ou medir qualitativamente quem se apresenta de público para a luta antifascista. A todos aqueles que vão cabe o direito de ir. Se estão lá e assim o querem, esta é uma escolha que lhes assiste. Pouco ou nada se ganha quando se tenta tolher a participação de algum indivíduo.

Contudo, isso não resulta de nenhum modo em que, num nível político, os protestos devem ser feitos numa pretensa neutralidade amorfa, a fim de satisfazer o desejo de pluralidade e de agregar as diferenças entre os manifestantes. A ação contra a fascistização social não se confunde com um culto ecumênico. Logo, é preciso estabelecer uma ordem intensa e verdadeiramente transformadora para seus dizeres, a qual só pode ser encontrada no campo progressista, e fazê-la se tornar cada vez mais forte e vigorosa. Somente desse modo o fascismo pode temer de fato sua queda.

Só existe um lado correto de ser antifascista, e é à esquerda.

Quanto aos demais, se quiserem estar na rua, que venham. Porém, que tenham clareza do significado e do sentido da luta. A bandeira vermelha é a que estará hasteada mais alto em cada via. Defendamo-la. Isso é o que de fato implica destruir inteiramente a marca do fascismo.