A conservação dos afetos, ou a arte de não ter razão, por Victor Leandro

27/11/2020

Nada de conversas, denominador comum, teoria da verdade ou consenso. Quem dirige um afeto a alguém, sabe. O acordo é a arte de não ter razão.

Isso, no entanto, não é nem um pouco simples. Pois é preciso dosar. Por vezes, somos nós que cedemos. Já em outras, é razoável que o interlocutor ofereça-nos o seu assentimento.

Assim, o fundamental, sempre, é isso, evitar a escalada mimética. Não se deixar conduzir pela ideia de que é preciso retrucar até provar seu ponto de vista, quando no final não vale a pena, quando há coisas muito mais relevantes em questão.

Então, a toda hora, precisamos seguir atentos. Se um diálogo partir para um alteio de voz, devemos abandonar a tentação de estarmos certos. Não apenas suprimi-la, mas abandoná-la completamente, pois esse é o único modo de evitar também o ressentimento.

Por certo, as posições aqui não são unânimes. Muitos são os que duvidam disso.

Estão corretos. Fica com eles a razão por inteiro.