A catástrofe pandêmica e a comunidade por vir

12/02/2021

Por Victor Leandro

Muito se tem falado, e com espanto, sobre os impactos subjetivos provocados pela pandemia e que deveriam conduzir a humanidade a um outro patamar solidário e de cooperação, e o quanto isso não se dá de nenhuma maneira. Das cenas cotidianas aos pseudorrealistas programas televisivos, do que mais se fala é da incapacidade individual de promover alguma transformação.

Verdade é que existe aí uma aposta bastante enviesada, que considera que as mudanças se operam de maneira ascendente no plano da pessoa à sociedade, quando é o contrário que ocorre. Somente dentro de um conjunto amplo de diretrizes, é que as modificações qualitativas podem funcionar. Logo, o que se deveria procurar era sobretudo uma nova ética social comum, a ser implementada coletivamente.

De todo modo, casso fôssemos pensar de maneira modática, as dificuldades permaneceriam. Ingênuo achar que o simples testemunho de fatos terrificantes mudam alguma coisa. Ao final, toda alteração depende de uma atitude ativa, compromissada com o novo, e eminentemente refletida. Ao que resta então a pergunta sobre que decisões pragmáticas tomar diante dos acontecimentos.

Nisso, pouco adianta inventar ideias inalcançáveis ao tipo do bom samaritano. Assim, pensando de um modo factível, talvez a meta mais interessante seja simplesmente zerar o jogo das relações, ou seja, partir de uma escala vazia de acúmulos de ressentimentos, a fim de tentar construir uma outra interrelação com os outros ao redor, isso, por óbvio, fundado em princípios que tenham em vista a produção do comum.

Isso é também impossível? Talvez. Mas é um caminho que se pode seguir. No mais, é a causa social o primeiro objetivo, do qual todos derivam. Lutemos por ela, e já estaremos fazendo muito por todos, a fim de construir uma humanidade que seja melhor e resista à pobreza moral - e não moralista, entenda-se bem - dos indivíduos. Esta é a verdadeira socialidade criadora do porvir.