A calculadora quebrada da esquerda e a memória do tchau querida, por Victor Leandro

26/05/2020

Estranha matemática do cálculo político. Todos dizem que para o impeachment não é o momento. Mas qual será? Este nunca foi tão urgente e necessário, diante de uma política de morte assumida. Porém, há quem considere que é preciso trabalhar melhor tudo isso. Descompasso completo com as urgências do povo.

Fato é que, até nesse ponto, prospera a narrativa da direita. As mensagens afirmam que não há esperança, e dessa maneira o caos progride. O futuro, argumentam uns progressistas, já se encontra apossado pelas linhas conservadoras. Têm razão. Se assim o pensam, assim será. Não há muito o que fazer diante dessa profunda inércia.

Mas vale lembrar que tudo é perspectiva nesse universo de discurso. Senão, recorde-se a queda mal arranjada de Lula e Dilma. Bastou um levantamento de sigilo, um gesto tímido, um quase nada de uma conversa de resto exígua, um Bessias curioso, um tchau querida, e o escarcéu estava totalmente feito. Hoje, diante das aberrações declaradas do antigoverno, esses eventos parecem uma insossa piada que não condenaria ninguém. Mas a história reacionarista confirma que o golpe funcionou a contento.

Quer dizer então que devemos seguir pelo mesmo caminho? Claro que não, disso não precisamos. A verdade já é mais que o bastante. Abandonemos a calculadora quebrada da esquerda, e teremos a novamente a república esquecida. É o que devemos a nossa espoliada ideia de democracia.