A aurora dos artistas, por Victor Leandro

11/05/2020

Esqueçam Regina Duarte e seus impropérios ridículos. Acaso têm eles algo a ver com uma arte genuína? Suas entrevistas não são mais do que assuntos para novelas.

Também não há lágrimas dignas de Blanc, Sant´Anna, Migliaccio, Fonseca, nem de Fausto. É um desperdício lamentar quem celebrou intensamente a vida, e cuja obra perdura como fonte inesgotável de potência. Seus movimentos estão para além de toda e qualquer materialidade limitada e simplória.

Se nos pormos a pensar o momento da arte hoje, diríamos que ela se encontra no limiar de um grande florescimento. O declínio aparente é apenas institucional e completamente estranho ao seu autêntico devir. Fora dele, o que há é uma sociedade ameaçada e que a conclama como guia, o que, com bem disse o filósofo-artista Nietzsche, compõe o momento ideal de sua emergência.

"São os tempos de grande perigo em que aparecem os filósofos. Então, quando a roda rola com sempre mais rapidez, eles e a arte tomam o lugar dos mitos em extinção. Mas projetam-se muito à frente, pois só muito devagar a atenção dos contemporâneos para eles se volta"

Sim, a roda da humanidade está rolando com maior rapidez e exige que uma arte adequada a esse evento surja, e tem surgido. Sendo assim, o que cabe a todos nós é voltarmos nossa atenção e seguir seu intenso caminho. Dessa forma, veremos o mundo novamente com clareza, livre de seus pérfidos mitos.

A nova aurora dos artistas já se encontra aqui, e com ela o instante reformulador. Os antigos ídolos entrarão em extinção. É chegado o tempo de criar com o martelo.