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Já nos falou Albert Camus sobre esse instante irrevogável em que depois de tantas ignomínias dizemos não, que não podemos mais nos calar ou tolerar todas as ofensas e desgraças por que passamos. Surge daí a revolta, a qual, diferentemente de uma simples raiva individual, possui sempre um sentido universalizante, uma vez que se volta contra a...

O algo. O nada. O silêncio opressivo na janela e na porta. Há na rua dois pequenos corpos distantes, porém desaparecem ao longe. Eu os olho sozinho.

É preciso deixar registrado. Quatorze de janeiro de dois mil e vinte e um. Este é o dia em que a cidade foi morta por asfixia. À noite, do silêncio das casas, só se viam as lágrimas e o vazio.

A guerra chegou ao Amazonas e com ela os signos da morte estão à vista. A dor e a angústia passam a tomar as mentes e os semblantes. Contudo, é necessário guardar ainda alguma razão. senão não saímos dessa. Senão não expulsamos os agentes mores dessa catástrofe sanitário-política.

Foi Mao Tsé Tung que disse que sempre é necessário distinguir a contradição principal das secundárias, a fim de resolvê-la fundamentalmente. Pois bem. A catástrofe do vírus no Brasil é sobretudo política, e sua causa reside na presidência. O mais é o que segue de sua resolução.

Antigamente, na verdade não faz muito tempo, embora pareça para nós ter sido em outra civilização, quando se olhavam as grandes catástrofes mundiais nos livros de história, era comum que pensássemos como seria terrível ter de passar por elas. Pois é exatamente num capítulo de manual que agora em Manaus nos encontramos no presente momento.

Comecemos pelo óbvio. A festa do menino Ney é inadmissível. Superado este ponto, o problema socialmente relevante é a completa e oportuna hiperpublicização do evento, que passou a ocupar inúmeras laudas de jornais e a atenção massiva do público internetizado, permitindo com que grande parte da comunidade se esqueça do verdadeiro perigo nacional à...